
No dia 18 de março aconteceu o 2º Encontro de Mobilização do Projeto Mulheres em Rede- Saúde, Direitos e Cuidado na Areninha Cultural Centro Municipal Jacob do Bandolim, no bairro do Pechincha, Rio de Janeiro. O projeto é uma realização do Cedaps com o apoio da Iguá Saneamento. Voltado para mulheres da Zona Oeste do Rio de Janeiro, o Mulheres em Rede tem como objetivo fortalecer as lideranças locais e promover o acesso à informação sobre saúde, cuidado, prevenção e serviços públicos de saúde da mulher.
O encontro começou com uma atração cultural, a roda de samba do Quilombo Aquilah, um quilombo urbano feminino localizado no bairro do Tanque, Jacarepaguá. O grupo é formado em sua maioria por mulheres, moradoras do quilombo,e resgata cultura e ancestralidade através do samba. A programação cultural parte da iniciativa do Mulheres em Rede de valorizar a cultura como parte fundamental da promoção da saúde e bem-estar.
Wanda Guimarães, Coordenadora geral e da frente de Prevenção e Cuidado do Cedaps, Isabel, representante da Iguá Saneamento e Renata Morais, Produtora da Areninha Cultural Centro Municipal Jacob do Bandolim, estiveram presentes na Mesa de abertura do evento. Wanda inicia sua fala resgatando a trajetória do Mulheres em Rede, ações e projetos com mulheres da zona sudoeste do Rio de Janeiro, moradoras de territórios populares. Ela destacou a importância do acesso à informação em saúde e do fortalecimento de redes de cuidado em saúde para o empoderamento das mulheres participantes do projeto e para a ampliação do acesso à saúde em seus territórios.
Wanda destaca, ainda, as organizações e grupos de trabalho envolvidos no projeto, divididos por bairros da cidade. Cada grupo de trabalho conta com uma mobilizadora local que é responsável por fortalecer toda a rede comunitária e compartilhar informações e experiências com o apoio das oficinas formativas do Mulheres em Rede. Temas como saúde da mulher, violência contra meninas e mulheres e dignidade menstrual foram temas trabalhados nas oficinas e fazem parte de um conjunto de questões que afetam mulheres no cotidiano. O projeto inclui, ainda, oficinas de educomunicação para a criação de materiais para circulação nas redes sociais, grupos de whatsapp e nos territórios com informações sobre cuidado, prevenção e serviços públicos de saúde da mulher. Dentre os materiais, cards, figurinhas, folder e reels (vídeo para Instagram) com informações sobre prevenção de IST/HIV, planejamento familiar, e, tratamentos e serviços disponíveis no SUS, e violência contra a mulher, já estão em produção pelas participantes e mobilizadoras.
Segundo, Wanda, os encontros são verdadeiras trocas de experiência e fortalecimento das mulheres a partir de um trabalho coletivo:
“Juntos somos muito mais fortes do que quando estamos sozinhos, porque a realidade não se muda sozinha. Juntos, empoderamos cada vez mais mais mulheres. Todo mundo tem direito a uma vida boa”
Wanda Guimarães.
Painel 1. Saberes e práticas de cuidado nas comunidades – Conexões com o Projeto Mulheres em Rede: saúde, direitos e cuidado
O primeiro painel do encontro foi composta por Ivani Rosa da Silva, representante do Quilombo Astrogilda de Vargem Grande, Mãe Rita, líder comunitária no Hospital Curupaiti, no bairro do Tanque, Maria do Socorro Melo Brandão, do ASVI da Cidade de Deus, Lulu, da Conexão feminina do Mato Alto e participante do Projeto Mulheres em Rede, Carolina Quintas, do Centro Municipal de Saúde – CMS Hamilton Land e parceira na formação do Projeto Mulheres em Rede, e Eleci Lacerda, mobilizadora do Projeto Mulheres em Rede do Quilombo Astrogilda. Aline Motta, mobilizadora do Projeto Mulheres em Rede do bairro do Tanque, foi responsável por mediar o debate.
Ivani Rosa inicia o painel destacando os saberes locais no cuidado em saúde, baseados em redes de solidariedade, espiritualidade e conhecimentos ancestrais no Quilombo Astrogilda. Ela conta a história do Quilombo como um território de plantação onde se valoriza o cultivo, as ervas medicinais e o banho de rio como práticas de cuidado e as benzedeiras e erveiros como partes fundamentais no fortalecimento do cuidado e do acolhimento no dia a dia dos territórios:
“No nosso território, a preservação dos rios é feita pela nossa comunidade. É muito importante respeitar os rios e as florestas, ter um ambiente saudável e limpo para a nossa saúde”.
Ivani Rosa
Maria do Socorro fala sobre a importância da valorização do trabalho realizado pelas mulheres nos territórios e do fortalecimento de lideranças de mulheres quilombolas para a promoção da saúde. Segundo ela, não havia muitos projetos sociais na Cidade de Deus. Ela menciona a atuação do Mulheres em Rede e outros projetos como o Programa Rei, instituição educacional interativa, com projetos de mobilização e empoderamento de mulheres na região. Através de projetos como esses, muitas mulheres se tornaram educadoras e mobilizadoras, multiplicando o impacto de seu trabalho e ampliando espaços de acolhimento a outras mulheres.
Carolina Quintas destaca como o diálogo com lideranças e iniciativas comunitárias podem fortalecer o cuidado à saúde das mulheres dentro dos territórios. A enfermeira traz um dado que chama a atenção, de que, na unidade onde atua, as mulheres são as que menos buscam cuidado em saúde, sendo o pior indicador de saúde da mulher a coleta de preventivos. Para ela, é fundamental contornar este quadro, levando saúde para a comunidade e aos espaços que as mulheres frequentam.
Lulu destacou a importância das redes de solidariedade e o papel da Conexão Feminina do Mato Alto em espaços de luta por direitos como o Centro Social de Mulheres LGBTQIAPN+. Ela resgatou alguns encontros promovidos pelo Conexão Feminina como encontros e rodas de conversa sobre HIV, AIDS e Tuberculose.
Após o painel, o microfone foi aberto para o público. Vera, responsável pela área de projetos socioeducativos e sociais da Iguá Saneamento, fez uma fala ressaltando a missão da área em levar impacto positivo para as pessoas em seus territórios, tendo mulheres e juventude como públicos prioritários. Para ela, a realização dos projetos vai para além dos serviços, tendo como objetivo a promoção do desenvolvimento social. Para isso, desenvolvem ações de inclusão produtiva de mulheres, empoderamento e saúde, com foco na participação social das mulheres.
Painel 2. Comunicação, Cultura e Educação na Construção do Direito à Saúde
O Painel 2 contou com a participação de Flávia Lima, do Projeto Recanto da Areninha de Rio das Pedras, Claúdia Aparecida, Aline Dias do Cultura Urbana e Rebeca Pereira, participante do Mulheres em Rede. O painel contou com mediação de Aline Varella, mobilizadora do Mulheres em Rede da Cidade de Deus. As debatedoras destacaram o papel da comunicação, da educação e da cultura como caminhos que mobilizam as comunidades.
A mediadora da mesa reforça o argumento da escuta do território e do trabalho em rede como fundamentais na promoção da saúde. Segundo ela: “Escutar o território é extremamente importante, quanto mais trabalha em rede, mais o trabalho é fortalecido por essa rede. Quando a rede é lançada, está buscando algo para a gente cuidar”.
Claudia também ressalta em sua fala a potência do trabalho em rede: “A questão da rede para além do que a gente está vendo, é sobre inserir ideias dentro do nosso território. Sozinha não dá para se curar”. Para ela, as formas de cura estão nas práticas de escuta e compartilhamento de experiências entre mulheres e do apoio mútuo através de redes de acolhimento e solidariedade nos territórios.
Rebeca, que participou dos encontros formativos do Mulheres em Rede, fala sobre a importância das formações e encontros de mobilização para falar de projetos, experiências e vivências das mulheres em seus territórios, ouvir umas às outras e pensar em soluções conjuntas para os problemas que enfrentam. Rebeca diz que o que mais aprendeu em sua trajetória no Mulheres em Rede foi sobre a união que as mulheres têm e reforça a importância do apoio ao trabalho que as mulheres vêm realizando nas comunidades.
Aline Varella destaca a relação entre cultura e promoção da saúde: “Saúde não é só ausência de doença, é também como estamos mentalmente, emocionalmente.Cultura traz leveza, saúde mental e emocional”.
Mulheres em Rede – Saúde, Direitos e Cuidado
O projeto Mulheres em Rede promoveu o 1º Encontro de Mobilização em 2025, além de duas formações envolvendo cerca de 40 mulheres de 10 bairros da região Sudoeste do Rio de Janeiro e duas oficinas de educomunicação para elaboração de materiais, vídeos, reels e materiais informativos sobre saúde, direitos e cuidado. O 3º Encontro de mobilização do Mulheres em Rede está previsto para o final do ano, voltado para a avaliação e troca de experiências entre as mulheres envolvidas no projeto.
Veja as fotos do 2º Encontro de Mobilização do Mulheres em Rede









