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18 de agosto, 2017

VIII Econtro Regional de ONGs AIDS – SUDESTE reúne ativistas e pede união

Ato ErongA falta de diálogo entre movimentos, redes e fóruns tem enfraquecido a luta contra a aids no Brasil. A conclusão é dos ativistas que participaram, em São Paulo, do debate “Diálogo para uma agenda em comum”, no Erong (Encontro Regional de ONGs/Aids) Sudeste, no dia 10 de agosto. Representantes da sociedade civil refletiram sobre o papel deles na luta contra a aids. Representantes da Rede Nacional de Comunidades Saudáveis também estiveram presentes, acompanhadas da equipe do Cedaps.

“Como liderança comunitária e ativista do movimento de AIDS, sabemos as prioridades da pessoa que vive com HIV/Aids. A participação dno ERONG foi muito importante para mim. Expor e construir propostas com as  verdadeiras necessidades dessas pessoas”, comentou Ana Leila, do Centro Social Fusão e integrante da RCS.

“Não vamos conseguir dialogar com outros movimentos enquanto não dialogarmos entre nós. A única coisa que temos em comum é a certeza de lutarmos pelo fim da epidemia de aids”, disse o jovem Matheus Emilio, do Foaesp (Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo.

Representando o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, a militante Fabiana de Oliveira criticou a ausência de pessoas vivendo com HIV/aids nesta luta. “Onde estão as pessoas soropositivas, somos tão poucos lutando por todos. É preciso desmistificar a ideia de que a aids está controlada, muitos ainda morrem em decorrência da aids todos os dias. Sem diálogo será impossível avançar.”

Da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, o jornalista Paulo Giacomini também não acredita em uma agenda comum entre os movimentos sem diálogo. Paulo criticou, por exemplo, a decisão do governo de mudar a nomenclatura ‘pessoa vivendo com HIV/aids (PVHA)’ para ‘pessoa vivendo com HIV (PVHIV)’. “O Departamento decidiu mudar o nome e teve o apoio da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV e das Cidadãs. Nós, da RNP, não vamos deixar o governo tirar a aids de nós. É impossível não lembrar que nos primeiros anos da epidemia só tinha acesso a medicação as pessoas com aids. Não aceitamos a justificativa de que a palavra aids causa estigma.”

Paulo disse que só será possível avançar na luta se houver capacitação e se as pessoas se posicionarem politicamente. “São Paulo já está avançando na agenda comum entre os movimentos. Este ano, aconteceu o primeiro encontro da Articulação Paulista da Luta Contra a Aids.”

A mudança na nomenclatura também foi criticada por outras pessoas do Erong. O ativista Márcio Villard, do Grupo Pela Vidda-RJ, considera que o Departamento de IST, Aids foi antidemocrático. “Eles deveriam ter feito uma chamada pública e consultado todas as pessoas vivendo com HIV/aids e não meia dúzia de movimentos.”

Ao fim do debate os ativistas se comprometeram em dialogar mais entre si. Mais de 100 pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas gerais participam do Erong Sudeste, na capital paulista. A delegação do Espirito Santo não está presente e justificou a ausência por falta de apoio.

Ato de defesa da política de Aids no Brasil

Na parte da noite, Cerca de 100 representantes do movimento social de luta contra a aids de vários municípios da região Sudeste ocuparam a calçada da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, em um ato de defesa da política de aids no Brasil. Com gritos de “fora, Temer”, “nenhum direitos a menos” e “o SUS pira, mas não morre”, os ativistas denunciaram a falta de kits para exame de carga viral – teste que calcula a quantidade de vírus HIV no sangue e o baixo estoque de remédios que compõem o tratamento contra a aids no país. “Estamos lutando para evitar o retrocesso, corremos o risco de não termos mais a garantia do acesso ao tratamento”, desabafou o professor Veriano Terto, da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids).

Durante toda a passeata – que seguiu até o Teatro Municipal de São Paulo, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Tenho aids, tenho pressa, saúde é o que interessa”. E carregaram cruzes, faixas e cartazes com dizeres como “Não ao PL 195/2015! Não se combate a epidemia de aids com criminalização”, “Não se fala sobre aids nas escolas”, “Não se fala da humanização dos serviços” e “Não se fala sobre PEP”.

O professor Jorge Beloqui, ativista do GIV, disse que os serviços de saúde vêm piorando, dia a dia, e que quase 15 mil pessoas morrem no Brasil todos os anos em decorrência da aids. “A ONU lançou metas para controlar a epidemia, mas queremos metas de redução da mortalidade. Só em São Paulo, cinco antirretrovirais estão com estoque crítico: etravirina, 3 em 1, biovir, kaletra e o tipranavir. A crise no SUS atinge a aids, não aceitaremos nenhum direito a menos.” De acordo com os manifestantes, morrem no Brasil quase duas pessoas por hora em decorrência da doença.

Os militantes encerraram o ato em frente ao Teatro Municipal de São Paulo e fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos que morreram em decorrência da aids.

Atos como este aconteceram em várias capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e Fortaleza. A mobilização nacional foi chamada pela Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids) justamente na semana em que a morte de Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997) completou 20 anos. Betinho foi um dos maiores combatentes na luta contra a aids e fundador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).