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19 de novembro, 2019

Seminário Fala, Comunidade! Ano 2019

“Prevenção Combinada do HIV em contextos de favelas, aldeias, quilombos e periferias brasileiras” esse foi o tema do Fala 2019 que teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a temática e construir formas acessíveis de comunicar sobre o assunto em parceria com jovens, lideranças comunitárias e agentes multiplicadores de prevenção que realizam ações nos seus territórios.

No primeiro dia (05/11), foram realizados mesas e painéis que reforçaram e informaram sobre a importância da atuação de lideranças comunitárias que trabalham com prevenção de IST/HIV e Tuberculose em territórios periféricos.  

Na parte da tarde, os participantes colocaram a “mão na massa”, e a partir do que foi conversado mais cedo, jovens e lideranças comunitárias criaram mensagens sobre Prevenção Combinada com uma linguagem popular e acessível no intuito de informar aqueles que não têm o acesso devido a essas informações. Essas mensagens serão transformadas em produtos e em breve serão disponibilizadas pelo CEDAPS, fiquem atentos!

No segundo dia (06/11), foram realizadas mesas com inciativas territoriais de prevenção com a presença de lideranças de alguns estados brasileiros: Eliana Karajá – Aldeias indígenas/GO, Ione Oliveira – Quilombo/ MG, Cícera Moreira – Periferias/ SP – (CEPROCIG) e Edna Pinho e Fatima Gavião – Rede de Comunidades Saudáveis de Salvador/ BA.

Muitos relatos emocionantes foram feitos pelas lideranças presentes, contando os desafios do trabalho popular com prevenção, que muitas vezes é atravessado por outras questões de violência e preconceito que acontecem em seus territórios. O papel dessas lideranças comunitárias que fazem prevenção às IST/HIV e Tuberculose vai além dessas temáticas, que em diversos contextos estão conectadas com outras questões sociais.

“Muitas mulheres sofrem agressões de seus maridos nas aldeias, e a cultura é usada como argumento para impedir a entrada da polícia. Agressão não é cultura. Depois de muita luta conseguimos apoio para Lei Maria da Penha entrar dentro das Aldeias Indígenas”. Eliana Karajá

Para encerrar a manhã, contamos com a presença de inciativas inclusivas que debatem sobre sexualidade e deficiência. As representantes do META Brasil: Rafaela Queiroz e Stefany Dias; o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ, Caio Silva de Souza; e a supervisora administrativa do Núcleo Rio APABB, Cristiane da Conceição.

Um dos principais temas abordados sobre inclusão foi a autonomia da pessoa vivendo com deficiência, que tem o direito à sexualidade negado constantemente, e que é coibida a ser manter reclusa pela sociedade, ficando sem acesso e sem informação em diversas situações, inclusive sobre prevenção.

“Eu sou jovem com deficiência, tenho paralisia cerebral. Até os meus 18 anos eu não saia de casa, vivia no meu mundinho, não saia nem para comprar pão. Cheguei a sofrer depressão. Na escola me convidaram a parar de estudar, foi quando falei “você não decide meu futuro, quem decide meu futuro sou eu, por isso não vou parar”. Hoje eu estou cursando técnico de Gerência em Saúde. A militância de prevenção a IST/HIV comecei em 2015, quando eu fiz curso de Jovens Lideranças realizado pelo Ministério da Saúde”. Stefany Dias

Na parte da tarde foi elaborada uma Roda de Conversa com os jovens presentes sobre “Juventude e Prevenção Combinada” onde puderam compartilhar suas vivências.

“A gente precisa entender que os nossos pais não tiveram a mesma oportunidade que estamos tendo hoje de estar em uma roda de conversa sobre prevenção, e por isso essa conversa não existe em casa com os filhos, o trabalho de conversa sobre prevenção também precisa ser feito com eles” Hugo Sabino.

Em um dia de muitas atividades, aconteceu também a exibição do documentário “Cartas Para Além dos Muros” que conta a trajetória histórica do vírus HIV e da AIDS no imaginário brasileiro, desde a epidemia que tomou o mundo e deixou milhares de vítimas nas décadas de 80 e 90, até os dias de hoje. Um agradecimento especial ao diretor do documentário André Canto e a Daniel de Castro do UNAIDS responsável pela articulação para exibirmos o filme no Fala 2019.

Para finalizar esse dia, foram produzidas oficinas criativas por lideranças comunitárias que ensinaram fazer dispensers de preservativos com garrafas pet e lata de leite, brincos artesanais com reaproveitamento de caixas de leite, bonecas de abayomi e turbantes. Após o momento de criação, o evento foi encerrado com expressões culturais e um desfile de turbantes e performances artísticas.

No evento também esteve em exibição a 3ª edição da Mostra Caminhos da Inclusão que reúne matérias sobre prevenção às IST/HIV e AIDS elaborados com e para pessoas com deficiência. Dê uma olhadinha, acesse clicando aqui.

O “Fala, Comunidade” é um espaço para dar visibilidade as inciativas de prevenção existentes nas comunidades populares e periferias, fortalecer o acesso à informação sobre as tecnologias de prevenção existentes além do preservativo, e o conhecimento de novas experiências e referências por parte de ativistas residentes em favelas e periferias para garantia da prevenção como um direito.