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18 de março, 2020

CEDAPS forma lideranças comunitárias e jovens em curso sobre prevenção e cuidado a IST/AIDS

No último dia 11 aconteceu a formatura do Curso Prevenção e Cuidado de IST/AIDS + TB – Abordagens territoriais e Inclusivas, uma iniciativa do CEDAPS com apoio da Mac AIDS Fund. O curso foi dividido em duas edições, uma voltada para mulheres lideranças e outra para jovens, ambos de favelas e periferias do estado do Rio de Janeiro.

No total, foram formados 69 – 47 lideranças mulheres e 24 jovens – agentes multiplicadores de informações sobre Prevenção Combinada e Cuidado das IST/HIV/AIDS e Tuberculose, visando a qualificação das ações e estratégias de prevenção realizadas em favelas e periferias.

A programação do curso foi divida em 7 temas: 

  • Participação Social – Cidadania Ativa e Território;
  • SUS;
  • Coinfecção Tuberculose (TB) + HIV;
  • HIV/AIDS, Estigma e Discriminação;
  • Diversidade e Inclusão;
  • Prevenção Combinada;
  • Agentes Multiplicadores de Prevenção.

O curso de formação para mulheres lideranças aconteceu em outubro de 2019 em espaço cedido pela Universidade Estácio de Sá.  Favelas, política de habitação e território esteve entre os temas discutidos, assim como a saúde da população negra, assunto facilitado por Lúcia Xavier ativista pelos direitos humanos da ONG Criola. 

 

O curso de formação para jovens aconteceu em dezembro de 2019 na sede do CEDAPS, pertencimento territorial e corpo e prazer estiveram entre as discussões abordadas, além de uma oficina com Rafaela Queiroz, ativista da Rede Jovem e do META Brasil, que falou sobre HIV/AIDS e Prevenção Combinada. 

 

 

A formatura uniu os dois públicos na Universidade Estácio de Sá para o recebimento dos certificados, onde fizeram falas importantes sobre a necessidade de capacitação em prevenção, contaram algumas das estratégias usadas para falar sobre o tema em diversos espaços, como igrejas e terreiros, e para diferentes públicos, homens, mulheres, jovens, entre outros. Além disso, a realidade dos moradores de territórios populares foi destacada como uma chamada para luta por acesso a direitos. 

“No curso, os professores passaram para gente a importância de falar sobre esses assuntos (prevenção e cuidado) dentro da família, dentro da igreja… Eu sou evangélica e sei que é muito importante falar sobre isso nas igrejas, porque é tabu falar de sexo e camisinha nesses espaços, então a gente vai abrindo brechinhas para que possamos entrar e falar sobre saúde e prevenção combinada”. Fabiana Ferrinha – FARO Maré

Fabiana também destacou que o uso de estratégias para falar sobre prevenção é muito eficaz: 

“Minha filha foi fazer maquiagem artística na Escola de Samba Vila Isabel durante o carnaval e me convidou para ir junto falar sobre prevenção. Quando as pessoas vinham ser maquiadas, eu as entregava camisinhas e folhetos informativos sobre prevenção combinada, mas muita gente dizia: “eu não vim aqui para transar não, só para pular carnaval” e eu respondia: “tudo bem, você pode não usar agora, mas pode usar no futuro, em um momento oportuno. Esse material é sobre prevenção combinada, não tem só a camisinha”. Naquele momento eu observei que muita gente não levou o preservativo, mas levou a informação, eram pessoas de diferentes lugares, do Brasil e do mundo”. Fabiana Ferrinha – FARO Maré

Maria Eduarda, da organização Meu Quintal em Cascadura, falou sobre a importância da mulher se reconhecer como um agente político, e que ser um agente político é uma realidade para as mulheres de favelas e periferias, não existe outra opção: 

“Eu nem sempre pensei como penso hoje, quando minha filha nasceu era importantíssimo para mim que ela saísse da maternidade de rosa. Quando tive contato com as capacitações oferecidas pelo CEDAPS eu comecei a entender o que era importante, que eu também era feminista em muitos aspectos. Durante toda a minha vida nunca aceitei a passar por subordinações em relação a homens, por entender que eu não era inferior. Esse curso me empoderou muito, só tenho a agradecer”. Maria Eduarda Toledo – Meu Quintal, Cascadura 

Mulheres moradoras de favelas e periferias são em sua maioria chefes de família exercendo dupla função, sem apoio de um companheiro, cuidando e sustentando o lar. Elas também são as que mais se envolvem com os interesses comunitários, tornando-se lideranças no lugar onde vivem e construindo redes de apoio para todos que ali residem. 

Para abordar a realidade do jovem de territórios populares, Greice de Paula – 19 anos, leu uma poesia de sua autoria para os formandos presentes: 

Nosso lugar
Os jovens sem fala estão. 
Sem suas vozes não se pode fazer uma canção.
Enquanto um fala, o outro se cala.
Será porque? Medo, falta oportunidade ou apenas ele não tem nada pra falar?
Jovens com sonhos sendo enterrados.
Muitos gritos calados.
Sorrisos que nunca mais iremos ver.
Perdas, tristezas, será que a culpa é nossa ou será que é do mundo a nossa volta?
Se o futuro somos nós porque não podemos mudar o presente, se o presente será um futuro?
Marcas que nunca irão passar, medos que jamais acabarão, dúvidas se um dia poderemos alcançar. 
Enquanto muitos somem, os outros passam fome. 
Cadê a lei que nos protege?
Onde estão os nossos defensores?
Somos culpados e tachados por onde moramos.
Tiram de nós oportunidades e sonhos por causa da nossa cor.
Nossos meninos que são levados mesmo sem terem feito nada.
Nossas mães jovens que são pisadas e humilhadas. 
Cadê o governo nessas horas? Que falam que fazem o melhor por nós. 
Isso é o melhor que nós podemos receber?
Lutamos todos os dias pelos nossos direitos.
E lutaremos a cada dia para nos defendermos.
Somos jovens, somos valentes, o governo jamais irá acabar com a gente. 

Greice de Paula. 

Confira as fotos da formatura: 

 

Iniciativas de capacitação como essas são fundamentais para disseminação de informação sobre prevenção e cuidado em saúde em todos os lugares, especialmente em favelas e periferias que são os mais afetados pela falta de recursos, transformar pessoas destes territórios em agentes multiplicadores é o caminho para comunidades mais saudáveis, sigamos juntEs!