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Notícias

29 de setembro, 2010

Primeiro dia do Fala, Comunidade 10: saúde e prevenção pela cultura e pelo diálogo

– O caminho da cultura para a construção cotidiana da saúde, os desafios da ação territorial de prevenção e o reconhecimento dos avanços no trabalho comunitário nos últimos 10 anos são alguns dos marcos para um relato sobre o Fala, Comunidade! 10.

Depois da apresentação sobre os dez anos de história do Fala, a mesa de abertura contou com as exposições de parceiros do evento. Ellen Ayer, do Departamento Nacional de DST/Aids, destacou, entre outros aspectos, uma característica no trabalho de prevenção nas comunidades: “Quando me deparo com o trabalho comunitário, volta sempre na minha lembrança Paulo Freire e a educação popular. (…) Existe o despertar da consciência através do diálogo. O trabalho de vocês na comunidade reflete isso, envolve reflexões críticas. E é isso que a gente precisa de respostas à epidemia no país.” Ellen também falou da mobilização da comunidade na garantia de uma resposta de impacto à epidemia de aids no país.

A gerente do Programa de DST/Aids do município do Rio de Janeiro, Lilian Lauria, e uma representante da Gerência de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, Katia Valente, falaram sobre o impacto do trabalho comunitário no controle da epidemia de aids.

Ainda na mesa de abertura, Roberto Pereira, falando pelo Fórum de ONG/Aids e pelo Fórum de combate à tuberculose do estado do Rio de Janeiro, abordou a dificuldade da integração das ações de controle da epidemia e da parceria entre os dois fóruns. Representando a Rede de Comunidades Saudáveis-RJ, Kakau Moraes, falou sobre o envolvimento das comunidades neste processo: “Já estamos sensibilizados e mobilizados, mas encontramos muitas dificuldades. Mas não estamos parados; mesmo sem condição, sem material, estamos chegando aonde as três esferas não conseguem chegar, mas precisamos de apoio”.

Outro momento importante do início do Fala foi o ato coletivo “Estratégias de Prevenção no Território Popular”, no qual pessoas envolvidas com a prevenção das DST/Aids em diversas partes do país puderam relatar suas experiências. Mascate informativo (Belford Roxo, RJ); camelôs educativos realizados em casamentos comunitários, escolas de samba, pontos de ônibus, esquinas das comunidades (Rio de Janeiro, RJ); visitas às casas (Magé, RJ); oficinas com mulheres nas reservas extrativistas (Pará); projeto em uma escola de surf (Natal, RN); atividades em escolas (Quilombo Mangueira – Belo Horizonte, MG); atividades com jovens (Itaquaquecetuba, SP), teatro com profissionais de saúde do CTA (João Pessoa, PB), entre tantas outras idéias possibilitaram que tivéssemos mais contato com a diversidade das ações realizadas no campo da prevenção.

Os caminhos possíveis para a atuação e o reconhecimento profissional dos Agentes Comunitários de Prevenção, em suas diversas frentes de ação (DST/Aids, hepatites virais, tuberculose, redução de danos e direitos humanos), foram tratados pelos participantes da primeira mesa do Fala, Comunidade 10: Álvaro Augusto (ABORDA), Felipe Santos (agente comunitário de saúde da SMSDC no Morro do Borel) e Cleverson da Silva (Rede de Jovens Vivendo). Em comum, as apresentações destacaram o acolhimento presente no trabalho dos agentes e a eficácia desta ação.

Depois de apresentar a ABORDA e a estratégia de redução de danos, Álvaro falou da necessidade de mudança de conceitos em relação aos usuários de drogas e dos desafios relacionados a este trabalho, que deve ser feito sem julgamentos de valor, em uma perspectiva inclusiva e de respeito às diferenças.

Abordando a interface entre o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da Estratégia Saúde da Família e os Agentes de Prevenção, Felipe falou das limitações impostas pela burocracia ao trabalho dos ACS, mas também das conquistas obtidas pela categoria, como a implantação de processos de seleção para contratação dos Agentes, a aprovação da Política Nacional de Atenção Básica, as propostas de criação e regulamentação de um piso salarial nacional e a fundação de um sindicato. Destacou ainda a intersetorialidade necessária para o sucesso da ação dos agentes, sejam ligados à Saúde da Família ou à prevenção.

A perspectiva de inclusão do olhar da pessoa vivendo com HIV/Aids para o trabalho de prevenção foi um dos pontos levantados pela apresentação de Cleverson, que também falou da abertura da Rede de Jovens Vivendo com HIV/Aids para outras redes e grupos de jovens.

A partir das três exposições, Kátia Edmundo, da coordenação geral do CEDAPS, apresentou uma sistematização de alguns “caminhos possíveis” para atuação dos agentes: reconhecimento do alcance e potencialidades deste trabalho; valorização através de parcerias e de remuneração e vinculação desse trabalho ao Sistema Único de Saúde e a políticas públicas de diversas áreas.

Na tarde deste primeiro dia de Fala 10, as três rodas de conversa – Mobilização social frente à tuberculose; Aids e racismo e Aids, drogas e o desafio do crack – reuniram os participantes do encontro para trocar informações e experiências sobre estas temáticas e gerar recomendações para o fortalecimento do trabalho comunitário.

O encerramento deste dia ficou por conta do desfile de moda Afro, realizado por meninas participantes de projetos do Casmu (da comunidade de Mato Alto, em Jacarepaguá) e do lançamento do livro de poesias “Vida em Pedaços”, escrito por Valda Santos. No lançamento, além da apresentação musical de Miramar (irmão da Val) e Felipe Santos, que executaram as músicas preferidas da agente comunitária-poetisa, amigos falaram sobre suas histórias ao lado de Val.
Publicado em 15-09-10