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02 de abril, 2015

Psicóloga e consultora do CEDAPS, Aliny Lamoglia, ressalta que o autismo é “uma questão de saúde pública e merece a atenção de todos”

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No dia 2 de abril é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data foi criada em 2007 com o objetivo de sensibilizar todas as pessoas – crianças e adultos.  Para falarmos um pouco mais sobre o autismo, conversamos com a psicóloga, mestranda em Saúde da Família da Estácio de Sá e consultora do Ciclo Saúde Aliny Lamoglia, que também é psicopedagoga e professora adjunta do Departamento de Fundamentos da Educação da UNIRIO.

É importante destacarmos este tema, pois, segundo a ONU, cerca de 1% da população mundial vive com autismo, o equivalente a 70 milhões de pessoas. A incidência dos casos no Brasil, embora não se tenha estatísticas precisas, é estimada em 1 para cada 88 nascimentos, conforme aponta Aliny.  Pautar a questão é uma forma de promover a conscientização e sensibilização da sociedade para redução de estigma e a garantia do acesso aos serviços que favoreçam condições de igualdade e o direito à saúde, educação, emprego e lazer de pessoas com autismo.

 

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Aliny Lamoglia é psicóloga, mestranda em Saúde da Família da Estácio de Sá e Consultora do Ciclo Saúde

– O que é o autismo e como é feito seu diagnóstico?

O autismo, ou Transtornos do Espectro Autista (TEA), é um transtorno neurobiológico do desenvolvimento, ou seja, inato,  que compromete, em algum grau, o dispositivo que permite a interação social. Falamos em espectro porque há diferentes graus de severidade para os TEA, desde pessoas não-verbais e, portanto, com grande comprometimento da comunicação e da aprendizagem, até pessoas verbais, com a inteligência preservada e capazes de se beneficiar da presença do outro que ensina. O diagnóstico é clínico/observacional, ou seja, não há, ainda, exames físicos ou de imagem que comprovem o diagnóstico de TEA. A observação deve incluir os marcadores do desenvolvimento como contato ocular, sorriso responsivo, o compartilhamento da atenção e o apontar. Pesquisas recentes demonstram que é possível rastrear os fatores de risco para TEA a partir dos três meses de vida. Não se justifica, portanto, o diagnóstico após os três anos de vida, quando a comunicação verbal já deveria estar presente.

 

– O que você considera importante para a melhoria da qualidade de vida de crianças e adultos com autismo? 

Como apontei antes, o bom prognóstico depende da intervenção precoce. Assim sendo, é primordial que os profissionais da saúde tenham conhecimento sobre os marcadores do desenvolvimento.  Caso isso não tenha sido possível e o diagnóstico tenha se dado tardiamente, o trabalho deverá incluir a instalação de comportamentos que promovem a interação e metas possíveis para aquela criança ou adulto com TEA.

 

– Qual a importância da integração em escolas, trabalho, comunidade, de pessoas que vivem com autismo?

A inclusão dessas pessoas deve ser avaliada individualmente. Há pessoas com TEA que não se beneficiam de um ambiente inclusivo, precisam de atenção face-to-face (‘um para um’), isto é, atenção individual e metas também muito particulares. Não adianta inserir no Ensino Regular uma criança que fica desconfortável com o barulho que as demais crianças fazem ou que se sintam hiperestimuladas com o ambiente e isso precipite crises de ansiedade ou ataques de birra. O que tenho visto acontecer com algumas pessoas com TEA é a inclusão indiscriminada, que não as beneficia de nenhuma forma. Por isso é tão importante pensar em clínicas-escolas, como propõe a Lei Benerice Piana (Lei Nº 12764 de 27/11/2012).

 

– Há algo relacionado ao autismo que você ache importante ou que ache que deveria ser mais destacado/discutido?

Sim, a incidência dos TEA nos EUA foi avaliada em 1 para cada 68 nascimentos em 2014 e no Brasil, embora não tenhamos estatísticas precisas, estima-se que seja de 1 para cada 88 nascimentos. Isto, por si só, já faz dos TEA, uma questão de Saúde Pública e, como tal, merece a atenção de todos. Penso que a formação dos profissionais da área da saúde, que são os primeiros a observarem a criança, deve ser enfatizada. Espero que em algum momento seja possível propor às faculdades uma disciplina sobre os Transtornos do Espectro Autista em cursos como a medicina, psicologia, enfermagem, educação física, fonoaudiologia… Isto seria maravilhoso!

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