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30 de agosto, 2017

Organização combate o racismo e a discriminação social em Petrópolis

Criada em 2009, União de Negros de Petrópolis tem atuação focada na saúde e na educação

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As discriminações racial e social ainda são traços muito fortes da sociedade brasileira. Em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, não é diferente. Por conta disso e para combater essa triste realidade, em 2009 surgiu e União de Negros de Petrópolis. Desde a sua fundação, a organização é presidida por Pedro Fernandes.

A União de Negros de Petrópolis tem sua atuação focada em educação e saúde. Através de palestras e capacitações, a UNEP promove direitos e leva a real história dos negros na cidade para estudantes e profissionais. “As pessoas acham que Petrópolis foi construída apenas pelos europeus, mas a população negra tem grande participação na construção dessa cidade”, comenta Pedro.

Um dos objetivos da ONG é fazer valer a lei 10.639, de 2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. “Muitas vezes, nem mesmo os professores de História conhecem a nossa história com profundidade. Os livros estão defasados”, ressalta Pedro.  Sendo assim, a União de Negros de Petrópolis faz palestras em escolas para estudantes e professores, falando sobre a história da população negra no Brasil e em Petrópolis, além de orientar sobre questões sociais e raciais.

Outra preocupação da UNEP é com a saúde. Além de atuar com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), AIDS e Tuberculose, a organização tem uma atuação expressiva quando o assunto é a doença falciforme, que atinge principalmente as pessoas negras. Segundo Pedro Fernandes, ainda existe muita falta de informação. “Precisamos capacitar principalmente os Agentes Comunitários de Saúde e os profissionais dos Postos de Saúde da Família, que muitas vezes desconhecem a doença”, comenta ele. Pedro destaca ainda que o tratamento só é realizado na cidade do Rio de Janeiro e que é necessário um transporte mensal para trazer os pacientes de Petrópolis para a cidade. Entretanto, muitas pessoas desconhecem esse serviço. Pedro destaca ainda que a subnotificação também é um problema grave a ser sanado: “já fizemos pesquisas em Petrópolis em que cerca de 400 pessoas conheciam alguém com doença falciforme. Porém, o número de pessoas diagnosticadas na cidade é muito menor que isso”.  A UNEP luta agora para que seja criado um centro de tratamento na cidade.

A União de Negros de Petrópolis passou a faz parte da Rede de Comunidades Saudáveis. “Fazer parte da Rede de Comunidades Saudáveis nos fortalece muito. Somos muito gratos pela parceria”, finaliza Pedro Fernandes.