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09 de agosto, 2013

CEDAPS participa do IX Encontro Comunitário de Tuberculose

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Lideranças comunitárias, ONGs e ativistas ligados ao combate à tuberculose participaram, no último dia 06 de agosto, do IX Encontro Comunitário de Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro, no Hotel Novo Mundo, na Praia do Flamengo. O evento foi realizado pelo o Fórum de ONGs TB/RJ, em parceria com o Programa Estadual de Luta Contra a Tuberculose, da Secretaria Estadual de Saúde/RJ, e marcou o Dia Estadual de Conscientização e Mobilização de Combate à TB.

O encontro teve diversos painéis de discussão com representantes do poder público e da sociedade civil.Wanda Guimarães, coordenadora geral do CEDAPS, participou da mesa “História e Participação da Sociedade Civil no Combate à Tuberculose”, com Dr. Germano Gerhardt Filho, da Fundação Ataulpho de Paiva (FAP); Dr. Miguel Aiub Hijjar (Centro de Referencia Prof. Helio Fraga/FIOCRUZ) e Carlos Basília, do Observatório Tuberculose Brasil/ENSP.

Gerhardt Filho falou sobre a FAP, que combate a TB no país há 113 anos através de educação em saúde e assistência domiciliar. A instituição, além de produzir vacinas, tem serviço gratuito de vacinação que já beneficiou mais de 450 mil pessoas. Ele ressaltou que a doença continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, que é o estado com maior taxa de incidência no país.

Para Wanda, a mobilização social que tem sido feita, especialmente a ação voluntaria de agentes de prevenção e de promoção da saúde, e precisa ser valorizada e apoiada pelo poder público. O financiamento apresentaria o maior desafio para a sociedade civil continuar a expandir suas ações em relação ao tema. Ela destacou, ainda, a ligação da TB com outras situações de vulnerabilidade social, como a pobreza e também o HIV. Por causa dessa correlação, Hijjar afirma que o combate à doença precisa ser intersetorial: “uma política que combate a fome nos ajuda como sanitaristas”, exemplificou. Ele também falou da necessidade de investimentos em pesquisas científicas.

Basília opinou que a tuberculose ainda é pouco valorizada como problema de saúde pública e que novas estratégias de combate são necessárias, com foco na proteção social e direitos humanos. Ele acredita que o Observatório de Tuberculose pode construir uma ponte entre a academia e a sociedade civil, para qualificar e avançar o debate.

Após essa mesa de conversa, Dr. Alexandre Milagres, da Fundação Ataulpho de Paiva apresentou, em primeira mão, o Relatório Síntese do Projeto Fundo Global. Com financiamento internacional, o projeto possibilitou ações de controle da tuberculose em 57 municípios brasileiros. Uma das diretrizes do Fundo era a participação da sociedade civil. Para ele, o êxito alcançado nessas ações faz com que seja necessário que o governo brasileiro adote o projeto.

Lúcia Cabral, presidente do EDUCAP, no Complexo do Alemão, e Nemese Nascimento, participantes da Rede de Comunidades Saudáveis, contaram suas experiências comunitárias no enfrentamento da tuberculose e promoção da saúde. Lúcia exaltou a participação dos jovens da comunidade, através do RAP da Saúde, que promovem o “arrastão da tuberculose”, visitando os moradores com informações. “São movimentos que acontecem dentro da comunidade e, às vezes, as pessoas de fora não sabem. A gente está aí lutando lá [no Complexo do Alemão]”, contou. Nemese falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos agentes de prevenção e promoção da saúde , mas fez dois pedidos: “estamos aqui com amor e por isso, peço carinho do poder público e reconhecimento das ações dentro das comunidades. E peço que a comunidade não desanime”.

“Esse é o nono encontro comunitário de tuberculose. O Fórum de ONGs TB/RJ mobiliza associações, pessoas e entidades para o controle da doença, na tentativa de fazer uma incidência política para melhores resultados em relação a diagnósticos, tratamento, redução do preconceito e discriminação, todas essas questões sociais que acometem as populações mais vulneráveis. Esse é mais um dos momentos em que a gente vem tentando pautar uma politica de saúde comunitária, que tenha a necessidade da população como eixo condutor” analisa Wanda.
Para encerrar o dia de muito diálogo e reflexão, houve uma apresentação do grupo musical Harmonia Enlouquece, de profissionais e usuários do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro.